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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O fim chegou...das disciplinas técnicas

Em 2013, este blogue teve o cuidado — quase ingénuo — de alertar para o possível fim da disciplina de Educação Tecnológica. Na altura, o Ministério, numa demonstração exemplar de visão estratégica, decidiu reduzir a carga horária desta área a algo meramente simbólico, quase decorativo, e ainda teve a gentileza de a transformar numa opção. Afinal, quem precisa de saber fazer quando se pode apenas saber falar sobre o fazer?

Com o passar do tempo, o abandono do “saber fazer” deixou de ser tendência para se tornar política assumida. A Educação Tecnológica foi sendo empurrada para fora do sistema educativo em nome dos tão venerados “altos saberes”. Presume-se, claro, que trabalhar com as mãos, projetar, construir ou experimentar não envolve qualquer raciocínio científico, comunicação ou pensamento crítico — atividades claramente menores quando comparadas com a nobre arte da memorização abstrata.

Este chamado “conhecimento poderoso”, universal, abstrato e distante da realidade, apresentado como solução para todos os males do mundo, continua a ser aplicado com rigor. Curiosamente, é também um excelente instrumento de exclusão e segregação, sobretudo para o aluno dito “normal”, aquele que ousa querer perceber para que serve aquilo que lhe mandam decorar. Mas esse detalhe é irrelevante: o importante é cumprir o programa, mesmo que ninguém o compreenda.

Quase sete anos depois, a missão foi cumprida. A disciplina desapareceu do ensino básico e secundário. O ensino prático foi eliminado com a eficácia silenciosa de quem apaga uma luz e segue em frente. Hoje partilho a realidade concreta de uma escola deste país: espaços abandonados, oficinas desertas, sinais claros de um desprezo institucional — um cenário quase dantesco, digno de registo fotográfico.

Num dos corredores, resiste ainda uma frase pintada na parede: “Pedras no caminho? Guardo todas, para construir um castelo.”
Infelizmente, o castelo ruiu. Mas fica o consolo: o abstrato permanece intacto.









quarta-feira, 30 de julho de 2014

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pequeno filme sobre alguns trabalhos produzidos em 2013

Este filme produzido em 2013 teve por base alguns trabalhos de alunos. Comparativamente aos outros anos letivos, é notório a diminuição da qualidade dos trabalhos produzidos. Este fato esta  diretamente relacionado com a falta de tempo disponibilizado para essa disciplina no início do ano letivo...
Só 45 minutos??? é incrível ainda haver tempo para fazer alguma coisa... Agora apenas nos resta um lamento e dizer:
- Isto bateu no fundo!!!
 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Uma "visão" da disciplina de educação tecnológica

Introducão
A expressão Educação Tecnológica foi empregue pela primeira vez por Yyes Deforge que em 1972, a tomou como título de um relatório encomendaddo pelo conselho de Europa.
Em Portugal, o ensino técnico constituiu no passado um dos mais poderosos meios de seleção escolar precorce. Após esse período, criou-se um vazio ( década de 70 e 80), progressivamente com as reformas dos sistemas educativos, é retomada a centralidade da educação tecnológica. Durante cerca de 10 anos aparentemente a educação tecnológica assume uma centralidade nos currículos com formação, porém por várias razões em sentido contrário, assistimos a uma desvalorização instituicional da mesma. Em Portugal, surgem várias interpretações do objeto disciplinar da Educação Tecnológica por vezes até contraditórias. Para alguns a disciplina é apenas um apêndice  do ensino aprendizagem, enquanto para outros se assume um caráter transdisciplinar. Ou ainda, aos que pensam que ela deva possuir um referente científico - a tecnologia.
 Acresce ainda, por parte alguns professores que ela seja aproveitada para prolongar  as antigas práticas pedagógicas das disciplinas "recauchutadas" como eram os trabalhos manuais e oficinais.
Este são alguns fatores que contribuiram para não se aumentar o interesse pela disciplina nem tão pouco promover o interesse por escolhas de vertente técnica após o 9.ºano.
 

30 anos...

Ao longo de 30 anos registamos mudanças na configuração curricular, com influência na matriz da disciplina de educação tecnológica. Esta área educativa mais que qualquer outra área educativa, pela sua singularidade, apresenta-se muito sensível a estas transformações.  A educação tecnológica também conhecida inicialmente  por trabalhos manuais/oficinais carregava o estigma de um saber "inferior". Esta área do saber nunca pode aspirar a um estatuto de paridade com restantes áreas de saber formal. A desvalorização social, persistiu ao longo dos tempos, acentuou-se, culminando com a última reorganização curricular (2012).
Com fim do ensino técnico, na década de 70 e o surgimento dos trabalhos oficinais da década de 80, procurava-se facilitar o acesso dos alunos a uma literácia tecnológica. Na década de 90, a disciplina, parecia aspirar a formação geral  através de uma construção curricular própria. Para tal centra a sua atenção no objeto técnico, através da promoção de um pensamento tecnológico, numa perspectiva integradora dos saberes, incorporando para tal elementos ciêntificos, históricos e comunicacionais. Ainda de acordo com orientações do Ministério (2001) de então, as aprendizagens deveriam ocorrer em espaços próprios, mobilizando para o efeito conhecimentos de outras áreas. Em 2002, assistimos ao fim do par pedagógico e  a redução da carga horária semanal. Esta proposta é aceite e  desenvolvida ao longo 9 anos, tinha uma organização semestral ou anual em função da oferta de escola.
Em 2012, a última proposta de reorganização curricular deixa de comtemplar esta área curricular no 3.ºciclo, limitando-se está a uma simples oferta de escola. Este novo discurso impossibilita o desenvolvimento de alguns procedimentos e acontecimentos que eram regras base na construção da identidade da disciplina, como o trabalho de projeto, e o método de resolução de problemas. Por sua vez, está  proposta remete o ensino de contéudos para o 2.ºciclo, como a tecnologia, materiais, análise do objeto técnico ou comunicação visual sem ter  ser conta o nível de desenvolvimento cognitivo dos alunos.




 
 


 
 
  

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Educação Tecnológica - O Princípio do seu Fim…


Iniciado este ano letivo (2012-2013) deparamo-nos com uma reduzida carga horária que inviabiliza muitos dos projetos levados a cabo por alunos. A carga horária de 45minutos/semana  impossibilita a introdução do trabalho de projeto e a resolução de problemas em tempo útil, como os principais contributos para o desenvolvimento de competências na área da Educação Tecnológica/Técnica. Um Projeto exige sempre, a capacidade de observação, de atenção, de questionamento, de reflecção sobre o que viram e um diálogo entre(ra)equipas.  A pesquisa o domínio da Língua Portuguesa e ainda de outras áreas saber são alguns exemplos que poderiam ser promovidos no âmbito da disciplina de educação tecnológica.

 Por fim, um outro aspeto importante é a satisfação dos alunos em conseguirem explicar alguns conceitos, de ultrapassarem dificuldades, revelarem a capacidade de questionar a realidade e não tomarem a realidade como um ”facto adquirido” tornando possível trabalhar conceitos de forma mais “palpável”.

Atualmente cultura ministerial vai o sentido não deixar promover este tipo de atividades. Ao longo de vários anos o ênfase na dimensão do execução  dos trabalhos práticos teve em alguns dos projetos um papel determinante pois, como afirmava um professor, permitiu aos alunos promover capacidades, competências em ação, articulada com os projetos. Lamentavelmente a dificuldade na aplicação deste tipo de atividade(s), que poderia ser proveitoso para alunos é posta em causa.

Em resumo, a adoção de me­todologias de ensino, segundo uma perspetiva construtivista baseada na experimentação/prática e na promoção da interatividade e criatividade ficam assim comprometidos definitivamente.



 
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Atitude Técnica ou Atitude Tecnológica?

Com frequência confundimos a atitude técnica e tecnológica. Será que serão a mesma coisa ou são diferentes?
Bem, ambas constituem dois aspetos importantes na execução de qualquer objeto. A atitude tecnológica tem por base as leis e os princípios que regem o funcionamento de algo que se pretende fazer. Em suma, a atitude tecnológica é a ciência da técnica. Atitude tecnológica esta associada à criatividade, descoberta, inovação e a pesquisa. Através de uma atitude reflexiva criamos, inventamos e concebemos novos produtos e objetos.
A atitude técnica é o saber prático. Normalmente associado a manipulação dos objetos. Toda atitude é procedida por uma atitude tecnológica.
Aqui vão alguns exemplos:
 
 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Comunicado (excerto ANPET)


COMUNICADO AOS PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

ABRIL DE 2012

Caros Pais e Encarregados de Educação,

O processo educativo deve ser entendido como um processo contínuo de aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e de competências que visa, no essencial, cumprir dois objectivos centrais: por um lado, a realização pessoal dos indivíduos e, por outro, dotá-los das necessárias qualificações para que possam contribuir para o progresso social, de acordo com as respectivas capacidades e aptidões.

Vivendo-se hoje na chamada "
Sociedade do Conhecimento" é, absolutamente, necessário que o currículo escolar não deixe de contemplar todas as aprendizagens que concorram para a construção de perfis educativos e formativos coerentes e em harmonia com as exigências sociais e do mercado de trabalho, sobretudo numa época de globalização económica. A necessidade da "Aprendizagem ao Longo da Vida" conduz-nos, também, à obrigatoriedade dos indivíduos se adaptarem, de forma dinâmica, a novas situações. Uma escolaridade obrigatória que se pretende alargar para os doze anos, num mundo profundamente tecnológico, não pode, assim, deixar de habilitar os alunos com aprendizagens relevantes que os ajudem a adaptar aos novos contextos e exigências económicas e sociais.

Neste contexto, é, completamente, incompreensível que o Ministério da Educação e Ciência tenha retirado do currículo do 3º ciclo do ensino básico, uma disciplina estruturante e promotora do sucesso escolar como a disciplina de Educação Tecnológica, conforme consta da decisão anunciada no passado dia 26 de Março, substituindo-a por uma indefinida "oferta de escola". Tal circunstância é até paradoxal com o discurso constante do próprio Ministério da Educação e Ciência que diz pretender evitar a dispersão curricular; racionalizar recursos; apostar no reforço do ensino secundário profissionalizante e "(…) afirmar a identidade de disciplinas que se reúnem sob a designação de Expressões (…)".
Há aqui, portanto, muita incoerência e alguma demagogia.

A Educação Tecnológica promove uma aliança entre o "
saber" e o "saber-fazer" e articula aprendizagens comuns a outras áreas, através de actividades experimentais e operacionais, muito do agrado dos alunos, permitindo também a aquisição e o desenvolvimento de atitudes técnicas relevantes que devem ser tidas em conta com a necessidade do reforço do ensino técnico profissionalizante, de nível secundário.

De que serve a autonomização de uma disciplina de Educação Tecnológica no 2º ciclo, ainda por cima com um só professor para 20 ou 30 alunos, quando depois não tem qualquer sequência para o 3º ciclo?! Não é aqui que ela se justifica mais, nomeadamente, enquanto propedêutica ao ensino secundário profissionalizante?!

Nesta conformidade, impõe-se perguntar?

1 – Devemos prescindir de uma educação integral dos alunos para a qual tem concorrido, inequivocamente, a disciplina de Educação Tecnológica no 3º ciclo?

2 – Devemos anular a valiosa experiência de milhares de professores de Educação Tecnológica, alguns com muitas dezenas de anos de experiência, colocando-os numa "bolsa de recrutamento" para satisfazer necessidades residuais do sistema de ensino, em vez de continuarem a contribuir para uma cabal educação dos alunos?

3 – Não devemos aproveitar, até ao limite, os milhares de euros que foram gastos em equipamentos e salas de aula nas nossas escolas?

4 – Vamos deitar fora tudo isto? Consentiremos tal desperdício numa época de gravíssima crise económica e financeira e de uma imperiosa necessidade de qualificação dos nossos jovens?

Considerando que V.ª Exª, na sua qualidade de encarregado de educação, é um dos principais interessados na educação integral das nossas crianças e jovens, apelamos para que tome posição junto da escola do(s) seu(s) educando(s) no sentido de defender a manutenção da Educação Tecnológica no currículo do 3º ciclo do ensino básico e assine, também, a petição on-line (http://wwwpeticaopublica.com/pi=P2012N22849).

Contamos consigo!  Não deixe "cair" o ensino técnico e Tecnológico!

Petição Pública

Considerando que a Educação Tecnológica (que deriva da anterior disciplina de trabalhos oficinais e/ou área vocacional) sempre existiu, e permite aos alunos “aprender fazendo”, em contexto de sala/oficina, com trabalhos/projetos práticos de mecânica, carpintaria, eletricidade, etc., (consoante a logística de cada escola/agrupamento). É uma disciplina de que os alunos gostam e onde não há insucesso escolar. A Educação Tecnológica serve (e sempre serviu) de estímulo para continuarem os seus estudos nas vias de ensino técnicas/profissionais, para serem técnicos qualificados e responsáveis no futuro.
Numa escolaridade de 12 anos, faz todo o sentido existir Educação Tecnológica no segundo e terceiro ciclos do ensino básico porque se complementam e aprofundam as competências adquiridas pelos alunos na área técnica e tecnológica, tanto mais quando se afirma querer reforçar o ensino profissional.
Considerando que não há quaisquer estudos, ou orientações, que recomendem a extinção da Educação Tecnológica e que esta disciplina existe na maioria dos países desenvolvidos, pois a sociedade tecnológica em que vivemos, e queremos continuar a viver, assim o exige.
Propomos que a disciplina de Educação Tecnológica faça parte do currículo nacional do segundo e terceiro ciclo, como disciplina obrigatória, oferecida em todas as escolas, eventualmente, a par de outras disciplinas de caráter artístico, reforçando a formação completa dos alunos, existindo desde o 5º até ao 9º ano.

O fim chegou...das disciplinas técnicas

Em 2013, este blogue teve o cuidado — quase ingénuo — de alertar para o possível fim da disciplina de Educação Tecnológica. Na altura, o Min...